1.7.09

Sessão da Tarde

As mulheres ainda são ínfima minoria na direção cinematográfica. Pouco a pouco, elas avançam numa área de expertise natural, a comédia romântica. A evolução do gênero - de cinema, não de sexo - porém torna tais filmes cada vez menos cômicos e infinitamente mais românticos. Seria a direta influência das mulheres diretoras?
A última comédia romântica que me fez rir muito foi Alguém Tem Que Ceder, de Nancy Meyers (que depois cometeu o bobinho O Amor Não Tira Férias), que seguia a cartilha histriônica dos duelos entre Cary Grant e diversas leading ladies nas décadas de 40/50/60, ou as perseguições entre Doris Day e Rock Hudson. Mas era exceção. A Proposta, de Sandra Bullock, deveria, de acordo com a divulgação do filme, renovar o gênero. A atriz não queria mais atuar em comédias, mas gostou do roteiro, aderindo entusiasticamente à sua primeira cena de nudez na carreira (muita gente na platéia gostaria de participar também, tal eram os profundos suspiros ouvidos na sessão para a imprensa carioca - lotada- durante o striptease de Ryan Reynolds).
Seguindo a trama tradicional de Megera Domada por um Petrucchio moderno - e mais jovem -, o filme não difere em nada dos últimos exemplares da espécie, incluindo um final La Bullock é uma editora-agente literária-gerente de comunicação prá lá de eficiente, que atemoriza seus subordinados, entre eles o assistente bonitinho, praticamente seu escravo. Como ela está prestes a ser deportada para seu Canadá natal (a propósito, país de origem do galã, na vida real), decide se casar com o assistente. Para não darem vexame na entrevista com o serviço de imigração, vão passar o fim de semana na casa da família do rapaz, no Alasca, onde as diferenças se acentuarão e as afinidades aflorarão, fazendo surgir o amor.
Lindinho, não? Igualzinho a tudo o que se viu antes, não? Anne Fletcher fez melhor em Vestida para Casar - ou seria o efeito de eu ter assistido na TV, o veículo ideal para A Proposta. De preferência, numa tarde chuvosa, acompanhado por sanduíches de queijo e presunto e refresco de maracujá preparados por mãe da gente. Delícias de Sessão da Tarde.

26.6.09

Buscapé


Cresci com Michael Jackson, um garotinho com voz aguda, que pensei ser mais jovem que eu por muito tempo - até que ele revelou que o pai o fazia enganar a idade para ser mais engraçadinho. Não era fanática pelo Jackson Five, mas gostei de Ben. Ele me chamara a atenção cantando I saw Mommy kissing Santa Claus, quando eu tinha uns nove, dez anos. É minha lembrança mais antiga dos Jackson. E depois veio Got to be There, I'll be There, ABC.
Por algum tempo, houve silêncio. Jermaine Jackson fez sucesso com uma canção cujo nome esqueci - mas que até comprei o disco, um compacto. E Michael, rapazote, aparentemente, foi completar o elenco de The Wiz, ofuscando a Dorothy de Diana Ross como o Espantalho. (Confesso: eu gosto das músicas do filme, adoro a Lena Horne cantando e amo o Michael Jackson dançando desengonçado. Sidney Lumet deve ter amado também, pois escolheu a seqüência dele para os créditos...);
E então apareceram Rock With You, Don't Stop Till You Get Enough, The Girl is Mine (o dueto com Paul McCartney foi a primeira música de trabalho do álbum Thriller, que emplacou nem sei quantas faixas em compactos), Billie Jean, e o resto é história. Enquanto o mundo dançava, Michael Jackson embranqueceu, mudou de feições continuadamente, ficou cada vez mais andrógino, casando-se com mulheres e tendo filhos por inseminação artificial, tudo entremeado por acusações de pedofilia. A voz transformava-se em silvo, o vigor desaparecia. Deu tempo ainda de dançar no Santa Marta e no Pelourinho. Lógico que o preto mais branco dos EUA tinha que virar carioca e baiano.

Escolhi imagens do Michael Jackson pré-escândalos e no auge do reconhecimento de crítica e público para recordá-lo, ainda antes do tempo em que se banhou no mesmo rio que clareou Macunaíma, quando era mais bonito e menos artificial. O maior produto da indústria do entretenimento mudou de etnia, tinha uma sexualidade ambígua e se extingüiu como um buscapé de festa junina.

25.6.09

Never can say goodbye






Férias!


A alegria da meninada do Colégio Santo Inácio, que teve aulas suspensas ontem por conta de dois casos de gripe suína entre seus alunos, me lembrou o fim do filme Esperança e Glória, de John Boorman - que traz suas recordações de infância, durante a Segunda Guerra Mundial. Quando as crianças chegam à escola, descobrem que o prédio foi dinamitado. Um garoto olha para o céu e brada: "Thank you, Adolf (Hitler)!".
Os meninos que estão doentes terão em seu currículo a gratidão eterna de seus colegas por essas férias fora de época. Nada como ser jovem e sem preocupações com os amargores da vida...
(Agora, e eu, que moro em frente, hein? Rio, me congratulo, me tranco em casa?)

24.6.09

New blog on the block

Estou tão viciada no Blogger que abri um novo blog no Wordopress - muito mais templates bonitinhos, mais chiques, mais cool, mais tudo - e mal consigo postar.
É um pretensioso blog sobre livros, chamado Estantes Cariocas, porém não sei se ele persistirá lá ou se virá pro Blogger também.
A facilidade de se postar aqui é bem maior.
Por que tantos blogs, já que não há leitores suficientes nem interesse por isso tudo? Sei lá, porque escrever sobre livros, aqui, neste armário desarrumado que o Arenas virou, fica difícil.
Sou uma mulher compartimentada.
Não dou conta de tantos cantos, é bem verdade.
Acabo fazendo uma geléia geral, porém, tento arrumar tudo em seus devidos lugares.
Com estantes, consigo organizar a vida. Pelo menos, empilhar direitinho os livros nas prateleiras, por ordens diversas - alfabética, gênero, autores, nacionalidades. Não é difícil, não.
Mas explicações como esta ficam aqui.
Lá nas Estantes Cariocas vão algumas observações sobre os livros. Sem crítica, apenas reflexões.

23.6.09

O filme acabou


When I think back on all the crap I've learned in high school
It's a wonder I can think at all
Though my lack of education hasn't hurt me much
I can read the writings on the walls

Kodachrome, they give us those nice bright colours
They give us the greens of summers
Makes you think all the world's a sunny day, oh yeah
I got a Nikon camera, I love to take a photograph
So Mama, don't take my Kodachrome away

If you took all the girls I knew when I was single
Brought 'em all together for one night
I know they'd never match my sweet imagination
Everything looks worse in black and white

Kodachrome, they give us those nice bright colours
They give us the greens of summers
Makes you think all the world's a sunny day, oh yeah
I got a Nikon camera, I love to take a photograph
So Mama, don't take my Kodachrome away

Kodachrome - Paul Simon

Após 74 anos, a Kodak se rendeu à fotografia digital.
A era do filme se acaba.